#118
ontem à noite fui assistir “Viva! Vida!”, novo espetáculo de Regina Casé, com direção de Daniela Thomas e Estevão Ciavatta Pantoja - Estevão assina ainda o texto, com colaborações de Antônio Nobre, Fábio Scarano, Daniela Thomas e Regina Casé.
durante quase duas horas, Regina nos leva em uma jornada que revisita a história do planeta - sim, é um pouco grandioso mesmo. vamos do nascimento do mundo até os dias atuais, em uma costura única que mescla metafísica, ciência, tradição oral, poesia e, claro, um bom humor único - entre referências de Aílton Krenak e Davi Kopenawa ainda sobra tempo para piadas ácidas sobre Virgínia, Elon Musk e nossa relação conturbada com as inteligências artificiais.
entre os muitos fios que o espetáculo desenvolve, um dos mais ricos é a nossa relação com as árvores e com as plantas - algo bastante importante na carreira de Regina e que ela sempre falou em seus projetos nos últimos 30 anos. em “Viva! Vida!” ela reforça a necessidade de entendermos e conhecermos a riqueza de nossa flora e termos uma relação mais saudável com árvores, plantas e flores que nos rodeiam.
durante o espetáculo, ela faz um joguete em que fica nos perguntando o nome das árvores que vão aparecendo na tela, algo meio professoral para testar o nosso “desconhecimento” dessas plantas. nessa hora eu lembrei de como eu nunca mais esqueci o que era uma sibipiruna desde que eu fiquei apaixonado por um episódio do “Um Pé de Quê?”, programa fundamental que Regina apresentou durante anos e anos no Canal Futura e que eu lembro de assistir repetidas vezes na minha infância.
o pedido de Regina era que a gente saísse do espetáculo mais atento as árvores que nos cercam… aí hoje, 8h30 da manhã, acordei com o som de uma motosserra. abro a janela e eles estavam depenando a árvore na esquina da minha casa. deixaram ela só dois cotoquinhos. aquelas cenas que na tv ou cinema a gente diria que eram óbvias demais, que o roteirista tava sendo exagerado. a realidade é sempre mais brincalhona do que a gente pensa - risos & choros.
lançamentos
choque de monstro: Ivana Wonder e Catto se uniram no delicioso single “Ao Meu Amor”, que fará parte do álbum de estreia de Ivana - projetado para o segundo semestre. ansioso por esse lançamento! vale demais o play.
depois de pedir pro dj ir mais forty, agora Clementaum está pedindo para a gente aumentar o volume, ela não para. “AUMENTA ESSE VOLUME”, seu novo single, passeia por diferentes universos sonoros conhecidos de quem já ouviu seus sets e mixes e é uma farra geral. ouça aqui.
“The Gem”, novo disco de Julia Jacklin, sai no dia 25 de setembro e essa seman ela apresentou mais um single excelente desse trabalho. “I Wish” tem participacao do duo australiano The Maes e vale demais o play.
Bruno Berle lançou “Sem Fronteiras”, seu terceiro disco, via Far Out Recordings. com a delicadeza de sempre, o artista cria pequenas canções que parecem se desmanchar no ar, canções de uma beleza única, que falam com sinceridade e intensidade sobre a vida, as relações e os encontros. um álbum para irmos descobrindo aos poucos e degustando. ouça aqui.
a espanhola Buika está preparando um novo disco e lançou essa semana o primeiro single, “Bailando”. a faixa mescla flamenco, música eletrônica e outros temperos latinos, sempre destacando sua voz única e incrível. uma delicinha.
fervos & bafos
hoje, em BH, o mineiro Bemti apresenta seu novo show no Sesc Palladium. o disco “Adeus Atlântico” ganha os palcos com as participações especiais de Haroldo Bontempo e Luar. ingressos aqui. já no dia 28/07, Bemti chega ao Rio de Janeiro em show duplo com Jáder no palco da Audio Rebel. ingressos aqui. relembre meu papo com Bemti sobre o disco “Adeus Atlântico” lá no podcast VFSM aqui.
videolocadora
nessa sessão indico filmes de qualquer época que eu acho interessante e que valem o play
“Festa de Família”, Thomas Vinterberg
filme que marca o início do movimento Dogma 95, “Festa de Família” segue um assombro, bem além de seus arroubos estilísticos do dogma - um movimento que possuía 10 regras estritas que buscavam o máximo de realismo nos filmes e o mínimo de inserção tecnológica ou posterior ao filme, enfim, nem os diretores que inventaram isso, como Vinterberg e Lars Von Trier, seguiram isso depois, rsrs. mas vamos ao filme: “Festa de Família” conta realmente a história de uma festa de uma numerosa família que reúne-se em um hotel para comemorar o aniversário de 60 anos do seu patriarca. obviamente esse encontro vira uma lavação de roupa suja e amargas lembranças vêm à tona - para não dizermos criminosas lembranças. com uma câmera inquieta, Vinterberg filma tudo com uma crueza e ferocidade que nos coloca de forma única no centro dessa família e dessas dores. um filme espiralar que não nos deixa confortável em nenhum momento e que dificilmente sairá da sua memória tão fácil.
o filme está disponível gratuitamente no Sesc Digital aqui.
as cantoras lá de casa
sessão onde indico um disco de alguma cantora dessas de outros tempos que vivem no repeat aqui em casa
Julie London, “Julie Is Her Name”
essa semana andava com a cabeça meio avoada e precisava de canções que funcionassem como calmaria, passeando pelos clássicos do jazz, acabei ficando a semana toda com a Julie London no repeat. eleita diversas vezes uma das maiores vozes femininas do jazz norte-americano, London lançou em 1955 sua estreia com “Julie Is Her Name”. o disco simplesmente abre com o clássico “Cry Me a River”, aqui em versão praticamente definitiva, marcada por uma delicadeza e refinamento únicos. de todo modo, o disco vai além e temos momentos especiais, como “I’m in the Mood for Love”, “Can’t Help Lovin’ That Man” e “No Moon at All”. com produção delicada, o que se sobressai é o talento vocal único de Julie London, que faz com que sua voz aveludada ocupe cada pequeno cantinho da canção, criando assim um disco que parece nos transportar em uma viagem no tempo. um disco para se dar play e entrar em outro ritmo, mais leve, com uma sedutora melancolia.
reclames
no VFSM dessa semana nós falamos sobre o line-up de 2026 do Coala Festival e selecionamos os shows que estamos mais ansiosos para assistir. ouça aqui.
no podcast VFSM tem meu papo com BUHR sobre seu mais recente disco “Feixe de Fogo”, um dos meus lançamentos nacionais preferidos desse ano. ouça aqui.
até a próxima,
Renan Guerra







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