#117
desde a semana passada eu entrei em Madonnamania, fiquei ouvindo “Confessions II” em looping. e falei bastante sobre o impacto veloz do disco no episódio mais recente do podcast Vamos Falar Sobre Música. de todo modo, ainda vou falar um pouco mais disso.
“Danceteria” é minha faixa preferida do disco da Madonna e eu amo a forma como ela celebra e relembra seus amigos. da cumplicidade com Debi Mazar aos encontros com Keith Haring e Kenny Scharf. isso me fez dizer, lá no VFSM, como é bonito ser fã dos seus amigos!
e aqui eu copio um tweet do COBAT: Eu espero que as pessoas entendam que esse álbum da Madonna fala também sobre a gente valorizar as histórias da boate que acontecem em nossas vidas. [...] “Ai mas não tem Keith Hering, Andy Warhol etc” - querida, olhe ao redor na próxima festa, everyone here is a work of art.”
eu amo ser fã dos meus amigos cotidianamente e, com isso, assistir eles crescendo, se desenvolvendo, mudando, criando e inventando novas formas de viver. e aí aqui falo de um espectro amplo de possibilidades, desde meus amigos que estão lançando livros, discos e peças de teatro, quanto meus amigos que possuem empregos sem louros artísticos ou glamourosos.
quando falo de ser fã de seus amigos é sobre se encantar com a forma como eles olham o mundo e sobre como eles te auxiliam a expandir suas perspectivas. e isso acontece ao experimentar novos sabores quando nossos amigos fazem um jantar com temperos inesperados. isso acontece quando eles nos contam de um filme ou de um livro que os encantou. isso acontece quando dividimos dores e alegrias.
essas coisas não se medem em métricas de linkedin. se medem em outras trocas. e elas podem ser muitas; como compartilhar a euforia de uma música na pista de dança. a alegria de olhar pro lado e sentir a cumplicidade de quem ama aquela batida que ecoa nas caixas de som. Hannah e a Marnie dançando “Dancing on my own”, da Robyn, em “Girls”; Hannah e Elijah dançando “”I Love It”, do Icona Pop com a Charli XCX.
dançar Madonna. ouvir “Deeper and Deeper” na pista. ver “Live To Tell” ao vivo. e ouvir e dançar “Confessions II” ao lado de nossos amigos, dos novos amigos que acabamos de fazer e de outros desconhecidos que nunca mais veremos, mas que sentem o mesmo que a gente naquela uma hora de disco…
texto dedicado a todos os meus amigos, em especial o Gabriel, aniversariante da semana
lançamentos
todos os singles criaram uma expectativa grande e agora enfim chegamos ao disco completo de Kelela. “new avatar” navega por caminhos únicos do R&B, bem ao estilo Kelela. achei chique demais. numa audição inicial, digo que amei o encontro dela com a Pinkpantheress e adorei “don’t piss me off”. ouça aqui.
o cantor, compositor e multi-instrumentista mineiro Haroldo Bontempo lançou “Ao Vivo em Quarteto”, trabalho refinado que apresenta releituras de seu repertório com o calor do ao vivo, em trabalho gravado ao lado dos músicos Bê Moura (bateria), Carol Ramalho (baixo elétrico) e Vinícius Mendes (flauta transversal e saxofone). com apenas 28 anos e uma celebrada trajetória, Bontempo apresenta aqui uma sintese de seu olhar apurado para a musica brasileira, em um dialogo entre clássico e contemporâneo. coisa fina. ouça aqui.
a cantora e compositora Ana Be lança seu disco de estreia “Sintonia dos novos começos”, trabalho com produção musical de Levi Keniata. nascida e criada na Zona Leste de São Paulo, a artista cria bordados entre samba, pagode, trip hop, R&B e funk, criando a cama para falar sobre amor, desejo, encontros e outros dengos. ouça aqui.
fervos & bafos
nesse sábado tem Kevin em novo local e com Bida Sarô, Badvi, Femmenino, Rafael Rosa e mais no line. essa semana com duas pistas & dois darks, para elas pintarem! ingressos aqui.
as cantoras lá de casa
sessão onde indico um disco de alguma cantora dessas de outros tempos que vivem no repeat aqui em casa
Helio Flanders, “Uma temporada fora de mim”
de vez em quando homens aparecem por aqui… Helio é vocalista do Vanguart, banda folk que tem o carinho de uma galera indie dos anos 2000. confesso que não fui muito na aula do Vanguart, conheço alguns singles e só, nunca me pegou. mas sou apaixonado por esse disco solo do Helio, lançado em 2015. uma coisa meio singer-songwriter ou cantor de botequim esfumaçado. com um repertório que vai de baladas folks ao tango, o que me encanta aqui é a teatralidade, o drama, a intensidade. os mais de seis minutos da faixa de abertura (que dá nome ao disco) já dizem muito bem o que será esse disco: uma canção linda, rasgada, com produção complexa, cheia de nuances e camadas. destaco aqui ainda dois momentos do disco. primeiro a parceria com a musa Cida Moreira em “Dentro do tempo que eu sou”; Cida é um linha sonora possível de diálogo para os sons explorados nesse disco e é muito bonito como o encontro dos dois se dá de forma genuína - eles às vezes fazem alguns shows em parceria e recomendo demais, é um absurdo e um assombro. segundo, amo a versão de Helio para “Romeo”, composta em parceria com Thiago Pethit; a faixa de caráter quase homoerótico tinha ares de balada roqueira com Pethit, mas ganha tons noir com o piano de Helio, em dramaticidade boêmia. no geral, sinto que é um disco que muita gente não ouviu e acho que vale a entrega.
reclames
seguimos em Madonnamania por aqui e, como adiantei no abre, temos um episódio inteiro do podcast VFSM falando sobre o “Confessions II” e o impacto que Madonna nos causou nessa última semana! ouça aqui.
até a próxima,
Renan Guerra






