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tenho algumas camisetas de Lady Letal/Viva Las DJs com seus corações apaixonados “Adoro DJs”, “Esta noite o DJ salvou minha vida”, “Esta noite a Profana fez a gente se apaixonar”. eu amo o trabalho dele e adoro sua iconografia pop/popular e replicável, mas ao mesmo tempo completamente marcante.
essas camisetas geralmente rendem interesse quando eu as uso: as pessoas olham, tentam ler, elogiam, perguntam, rende conversa. a maioria acha divertido, fun, mas um dia alguém me falou algo que me fez ficar pensando: a pessoa viu minha camiseta e ao eu explicar o trabalho de Lady Letal a pessoa resumiu “ah, ele cria essas camisetas e imagens com frases irônicas”.
ironia?
eu realmente adoro DJs, a Profana realmente fez a gente se apaixonar (essa eu inclusive comprei em êxtase após o show da Ventura Profana, rs), e mais importante: muitas noites o dj realmente salvou a minha vida!
a minha relação com a pista de dança é muito forte: pertencimento, encontro e liberdade. se encontrar a partir da mística criada por um dj é experiência pessoal e coletiva, física e para além. ao som dos DJs já suei e dancei, já abracei amigos, já fiz novos amigos, dividi drinks e leques, chorei e cantei.
Björk já falou que quer chegar aos 90 anos “still raving”, e aqui ela não fala necessariamente de estar numa rave enquanto conceito estrito, mas sim como a pista de dança num todo. a experiência coletiva de dançar e se encontrar a partir de um convite feito por um artista que nos abre seu leque musical, sua pesquisa artística e seu olhar sobre o mundo.
que esta noite o DJ siga salvando a nossa vida.
David Hockney
David Hockney morreu hoje aos 88 anos e uma das coisas que eu lembrei é o quanto ele amava seus salsichinhas, por causa disso ele tem uma série gigante de quadros só pintando os piticos. descanse em paz, anjo.
lançamentos
Katy da Voz e as Abusadas estão na pista de dança com o ep “Sandra Eletrônica”, são quatro faixas calcadas na música eletrônica e um pequeno mix para se jogar na pista de dança. contando com duas produções de FKOFF1963, colaborador recorrente, uma por VIRGO DEVIL, e uma de Christopher Luz - nome em ascensão na cena do funk paulistano - o EP se completa com um mega-mix de todas as faixas, produzido por FKOFF também. a capa também é um acontecimento, com ilustrações de César Berje e Luan Zumbi. ouça aqui.
saiu essa semana o disco “Replay - Exagerado”, com diversos artistas revisitando o clássico de Cazuza. nao sei por que cargas d’água eles meteram a Ludmilla na capa, mesmo tendo muitos artistas no disco AND o fato de que a versão dela é uma bosta, rsrs, mas ignorem ela e sua versão e pulem pras outras. “Medieval II” com Mateus Fazeno Rock é absurdo, Jadsa com “Mal Nenhum” e Maria Beraldo com “Desastre Mental” luxos. “So as mães sao felizes” na voz da Raquel é algo que ainda estou pensando, gosto muito da produção, mas ainda não sei se curti tanto a forma que ela coloca a voz, enfim… o melhor de tudo é mesmo Catto cantando “Codinome Beija-Flor”, luxo total. ouçam aqui.
videolocadora
nessa sessão indico filmes de qualquer época que eu acho interessante e que valem o play
“Vento Seco”, Daniel Nolasco
no dia 25 de junho chega aos cinemas “Apenas coisas boas”, o segundo longa de ficção do Daniel Nolasco. sou apaixonado pelo cinema dele, adoro seus curtas, seus docs e achei bom trazer por aqui a indicacao de “Vento Seco”, de 2020. em tempo de seca e de baixa umidade no interior de Goiás, Sandro (Leandro Faria Lelo) vive seus dias entre seu trabalho em uma empresa de grãos, os mergulhos no clube da cidade e o sexo casual. a chegada à cidade de Maicon (Rafael Teóphilo) irá balançar alguma coisa ainda não explicada em Sandro, criando uma espiral entre sonhos fetichistas e a banalidade de um cotidiano árido, nos levando em uma jornada bastante estilizada pelo universo afetivo e homoerótico de Sandro. cheio de tesão e cores neon, o filme de Nolasco tem a marca muito forte de um autor inventivo, despudorado e que não busca o realismo, pelo contrário, ele busca a magia do sonho. uma lindeza.
leiam minha resenha completa no Scream & Yell.
as cantoras lá de casa
sessão onde indico um disco de alguma cantora dessas de outros tempos que vivem no repeat aqui em casa
Mônica Salmaso, “Voadeira”
segundo disco solo de Mônica Salmaso, lançado em 1999, esse segue sendo ate hoje meu disco preferido dela. produzido Rodolfo Stroeter e com músicos renomados como Paulo Bellinati, Marcos Suzano, Toninho Ferragutti, entre outros, o que brilha mesmo nesse disco é a voz única de Salmaso, nada no disco se sobrepõe ao seu canto, a sua interpretação única. o samba, a valsa, o baião, o xote e a modinha como propulsores de um canto único em um repertório avassalador, que mescla clássicos da nossa MPB com canções inéditas. destaco aqui “Canto em qualquer canto” (Ná Ozzetti / Itamar Assumpção), “Silenciosa” (Fátima Guedes), “Beradêro” (Chico César) e “Cara de Índio” (Djavan), mas mas minhas preferidas mesmo são a abertura com “Dançapé” (Mario Gil / Rodolfo Stroeter) e a versão absurda que ela faz de “O Vento” (Dorival Caymmi), que aqui virou pra mim versão definitiva - Gal Costa que me desculpe. no todo, “Voadeira” é um disco de beleza resplandecente, de uma delicadeza especial e de uma unicidade dentro do universo da nossa música popular.
reclames
em faixa a faixa, Antropoceno apresenta “No Ritmo da Terra”, mesclando rock vanguardista com Ailton Krenak. leia no Scream & Yell.
até a próxima,
Renan Guerra









