#112
eu estava há dias que queria abrir a newsletter essa semana com algo sobre o mês do orgulho, falar do pride, pensar algo em torno da realização da Parada LGBTQIA+ de Sao Paulo - e todas as quedas de apoios e patrocínios. estava com isso na cabeça.
na segunda de manhã, primeiro dia do mês do orgulho, indo pro trabalho e lendo “Pão dos Anjos - A história da minha vida”, da Patti Smith, e entrei bem nos capítulos em que ela fala do final dos anos 1980. a morte de Robert Mapplethorpe, a morte de amores e entes queridos dela, e a morte de tantos rostos e nomes conhecidos para ela, em sua maioria, mortes causadas pelo HIV/AIDS. ela depois fala sobre o fato de Mapplethorpe ter pouco mais de 40 anos, ela propria reflete sobre tudo que ele poderia ter construido enquanto artista e enquanto pessoa mesmo, como amigo, como o amor de alguem.
uma parte essencial para mim do orgulho passa por entender e reverenciar todos aqueles que vieram antes de mim, aqueles que morreram antes de mim. e por isso esse tema da pandemia de HIV/AIDS e algo que sempre mexe comigo de forma direta. penso na imagem do Coral de Homens Gays de Sao Francisco e na imagem que eles produziram que mostram o impacto da perda em 1992: todos os homens de branco equivalem aos sobreviventes, os vestido de preto e de costas representam um morto.
penso em todos que morreram e que tiveram suas historias incoclusas. Marlon Riggs, Caio Fernando Abreu, Cazuza, Lauro Corona, Sandra Brea. o quadro que nao se encerra de Keith Haring.
e dessas faltas, penso naqueles que estao vivos e fazem a diferenca. naqueles que constroem novos rumos agora. pensar o orgulho e celebrar a nossa existencia e tambem a dos nossos pares. e olhar no olho do outro e se entender nesse mundo, e se encontrar na diferenca e se abracar a nossa unicidade. somos um coletivo diverso e e isso que nos enriquece.
nesse mês e em todos os outros, seja 100% quem voce é! isso e seu maior trunfo nesse mundo.
lançamentos
a multiartista Cesanne reuniu uma turma da pesada para seu ep “VDN - Viados do Bairro”, com nomes como WES, Dornelles, Preta Queen B Rull e Leyblack. entre o funk, o rap e o pop, o ep fala com bom humor sobre sexo, liberdade sexual e desejo. canções como “Pirocada vai, pirocada vem”, “Piru torto” e “Kulargo” são arte!!! nem preciso dizer que é +18, né? ouça aqui.
Kaya Conky lançou “MARIA BOA” lançou seu novo disco e veio cheio de participações especiais, como Katy da Voz e as abusadas, IDLIBRA, Taj Ma House, Carlos do Complexo, Urias e mais. no que já ouvi aqui, estou achando bem bafo. ouçam aqui.
a cantora, compositora e produtora cearense, Clau Aniz lançou hoje “Mácula” (2026), disco interessantíssimo, que casa MPB, experimentação e ruídos em um disco delicado e quebradiço. ouça aqui.
Kelela apresenta mais um single de seu novo disco “new avatar”, hoje saiu “point black” e vai se formando um clima de disco do ano hein? mamãe vem forte. ouça aqui.
fervos & bafos
neste sábado estarei com a turma do Scream & Yell na Feira do Livro, no Pacaembu, para uma sessão de autógrafos, abraços e encontros do nosso livro “Eu nem queria dar entrevista”, a partir das 15h, no estande da Editora Barbante. espero vocês lá.
hoje tem festa Jake com Millian Dolla, Rafa Maia e CyberKills! ingressos aqui. já amanha tem Kevin com Zebra Katz, Mina Galan, Mirands, Rafa Balera e maissss. ingressos aqui.
neste sábado ainda temos Novo Affair em edição Ultra de Pride com nomes como Clementaum, Katy da Voz e as Abusadas, CyberKills, Bia Soull e maisss. ingressos aqui.
videolocadora
nessa sessão indico filmes de qualquer época que eu acho interessante e que valem o play
“20.000 Espécies de Abelhas”, de Estibaliz Urresola Solaguren
Lucía tem oito anos e mora com a família na França, porém, nas férias de verão, eles se dirigem para a casa da avó no País Basco, a comunidade autônoma ao norte da Espanha. e por lá, entre abelhas e as mulheres da família, que a pequena começa a se questionar ainda mais sobre o fato de que as pessoas se dirigem a ela de maneiras confusas, borrando as dualidades entre o feminino e o masculino. isso tudo abre uma jornada de descoberta para Lucía, tanto das histórias de sua família, das tradições orais da região, quanto de sua própria identidade no mundo. de forma delicada, o longa de Estibaliz navega por temas complexos ao adentrar no coração dessa família em sua maioria feminina, em que as histórias do passado ainda parecem mal resolvidas quando a história da pequena Lucía começa a desabrochar. uma lindeza de filme, uma pequena joia sobre genero e transexualidade, sobre carinho e aceitação.
leia meu texto completo sobre o filme no Scream & Yell.
o filme está disponível gratuitamente no Sesc Digital.
reclames
esta semana no VFSM falamos sobre o line-up do Balaclava Fest 2026, que traz nomes como Blondehead Red, Sudan Archives, Wednesday, Dry Cleaning e mais. ouça aqui.
“Labirinto dos Garotos Perdidos” cria sua (anti) fábula gay sobre o universo dos encontros casuais e agora você pode conferir tudo isso nos cinemas brasileiros. o filme de Matheus Marchetti entrou em cartaz essa semana e você pode ler minha resenha lá no Scream & Yell. abaixo você vê as salas em que o filme está em cartaz:
até a próxima,
Renan Guerra











Impactante a foto do coral. Como todo o resto. 🌈 #pride 🌹