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voltamos a newsletter após os dias imersos no C6 Fest. morei praticamente quatro dias no Parque Ibirapuera. foram entrevistas, shows, posts, textos e correria. e disso tudo o que fica de mais potente é a força da música. o C6 é conhecido por ser o festival com curadoria humana, o festival para se conhecer sons e o festival para quem ama música a fundo, e isso se reflete de forma potente nos encontros, nas trocas e nos momentos divididos nesses dias de show.
como alguém que ama musica e arte, me encanta ver os fãs do Magdalena Bay andando pelo parque com a maquiagem igual a da vocalista da banda, me encanta ver os fãs do Wolf Alice com bandeiras, máscaras e cartazes, os fãs da Oklou encontrando ela e vivendo esse sonho de encontrar seu ídolo. é muito bom vivenciar toda essa energia coletiva da música. eu, pro exemplo, chorei e cantei ouvindo The xx e Lykke Li como se reencontrasse o Renan adolescente que fui, aquele que baixava essas músicas on-line e que via e revia os clipes desses artistas em qualidade ruim no Youtube.
uma das frentes do C6 Fest são as masterclasses que fazemos antes do festival começar, elas geralmente rolam na Escola de Música do Ibirapuera, de forma gratuita, onde propiciamos encontros entre músicos, estudantes e interessados pela música. foram três masterclasses esse ano e eu sempre me emociono nesses encontros, pois ver crianças e adolescentes apaixonados por música aprendendo e trocando com grandes lendas do jazz é uma coisa absurda e ser um pedacinho dessa ponte - ao lado de meus parceiros de trabalho - já me encanta demais. ver as crianças encantadas com o alaúde de Anouar Brahem ou as meninas fazendo perguntas técnicas sobre a harpa de Brandee Younger são coisas que não tem preço, são conhecimentos e trocas únicas.
e pra completar, enquanto o C6 Fest rolava, a cidade de São Paulo estava mergulhada na Virada Cultural, com shows, eventos e espetáculos por diferentes espaços. encher a cidade de cultura é algo completamente especial. as meninas da banda Horsegirl inclusive nos contaram em entrevista que elas sairiam do festival à noite e iriam para o Teatro Municipal aproveitar a virada cultural, sabe? que coisa única.
por mim a gente enche e ocupa a cidade de cultura, música, arte e gente todo final de semana!
lançamentos
a DJ, produtora musical e diva Paulete Lindacelva lançou hoje o EP “Filha de Abya Yala Herdeira de Kemet”, produzido por ela mesma e com distribuição via Perfecto Estado. De acordo com Paulete, “Filha de Abya Yala Herdeira de Kemet” é, antes de tudo, “um trabalho de música eletrônica, mas com atravessamentos de referências culturais africanas, indígenas e de outros povos que se relacionam historicamente no território latino-americano”.
O objetivo conceitual do EP, ainda segundo Paulete, é reafirmar identidades que resistem e continuam a florescer nas Américas, bem como suas contribuições musicais. O nome em si já entrega isso logo de cara, aliás. “Abya Yala é o nome utilizado por povos originários para designar o continente americano antes da colonização e Kemet é uma denominação ancestral do antigo Egito”, comenta a DJ. sonoramente, o disco passeia por um miscelanea de sons que vao do ragga ao house, do dancehall a cumbia, em uma viagem única. ouça aqui.
“Dissolução” e o terceiro disco de Bebé, e so reforca o talento e a criatividade dela. discão bonito, bem produzido, refinado, com mpb, indie, jazz, tudo casado de forma chique. é muito lindo ver como ela só cresce a cada disco. vale demais o play.
o dj e produtor FUSO! se uniu a Siamese, Freeda e LYONS PROD. no pegajoso single “MIC VIDA”. ouca aqui.
“Cinema Bélico?” é o terceiro álbum de estúdio da banda sergipana Cidade Dormitório (Matraca Records/YB Music). com produção musical e mixagem por Fernando Rischbieter e Pedro Vinci, o trabalho mescla indie rock, shoegaze, pós-punk e psicodelia em um disco envolvente e sedutor. ouca aqui.
eu acho o Exclusive Os Cabides uma das bandas mais interessantes e divertidas da atualidade e eles lançaram essa semana o delicioso ep “Feliz e triste ao mesmo tempo”. rock curtinho pra grudar na cabeça e ficar no repeat. ouca aqui.
o Taj Ma House esta no preparo de seu disco de estreia e lancou o delicioso single “Calor do Som”. quem nao esta ligado no som do Taj Ma House esta perdendo, artistas divos. ouca aqui.
fervos & bafos
hoje a festa recifense NBOMB chega em SP ocupando a Central com Linn da Quebrada e mais uma lista chiquérrima de djs que inclui nomes como Paulete Lindacelva, Bida Sarô e Tessuto. ingressos aqui.
e semana que vem temos o final de semana Pride, então para quem já quiser se organizar, teremos a feira LBGT no dia 04/06 e a Poc-Con nos dias 05 e 06/06, e para quem quer festas, temos um cardápio que inclui:
semana que vem falo mais de #Pride!
as cantoras lá de casa
sessão onde indico um disco de alguma cantora dessas de outros tempos que vivem no repeat aqui em casa
Zezé Motta, “Dengo”
a pesquisa do substack não me ajuda, assim como a minha memória, então não lembro se já falei desse disco por aqui. se falei, me perdoem. lançado em 1980, “Dengo” é mais uma pedrada da Zezé Motta que mostra sua versatilidade como atriz e cantora, entendendo as nuances de uma intérprete. com um repertório rico de MPB e gravando grandes compositores brasileiros, “Dengo” tem um charme especial, aquele cheirinho de virada dos 70 para os 80. gosto demais de “Feiticeira”, composição de Gilberto Gil, dominada aqui com charme por Zezé; a sequência “O Dengo Que A Nega Tem”, de Dorival Caymmi, e “Bola De Meia, Bola De Gude”, de Fernando Brant e Milton Nascimento, é outra beleza que só. já no lado b, é lindo ver como ela consegue ir por uma leva que inclui composições de Johnny Alf, Assis Valente, Gonzaguinha e Jards Macalé, encerrando o disco de forma luxuosa com “Poço fundo”, também do Gil. bem produzido e assinado pelo mestre Perinho Albuquerque e com uma banda de músicos virtuose, “Dengo” é uma delicinha para se ouvir sem pressa, aquele clima de dia de sol, janelas abertas, cerveja gelada na mão.
reclames
eu estou de folga do podcast VFSM faz duas semanas, mas nesta semana o pessoal se reuniu pra falar sobre o C6 Fest, comentando os altos e baixos do festival. ouca aqui.
até a próxima,
Renan Guerra









o c6 fest foi incrível, obrigada por ter contribuído pra isso <3