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nas próximas semanas vocês podem me encontrar onde eu amo estar: morando no CineSesc e me alimentando com a pipocuxa de 2 reais, pois de hoje, 20 de março, até dia 02 de abril, o CineSesc apresenta a Mostra Farol, projeto do Sesc São Paulo que reúne filmes inéditos no circuito comercial brasileiro, obras de estreia ou de revelação de cineastas com carreiras já consolidadas e atividades formativas.
a programação da Mostra Farol propõe um percurso entre produções contemporâneas e títulos que marcaram diferentes momentos da história do audiovisual, articulando exibições, debates e ações educativas, com exibições de filmes de grandes diretores como David Cronemberg, Beto Brant, Sofia Coppola e os irmãos Coen.
a abertura da mostra acontece nesta sexta-feira (20) com sessão gratuita de “Surda”, da diretora Eva Libertad, exibido em sessão gratuita e com recursos completos de acessibilidade pelo aplicativo Conecta. A retirada de ingressos acontece na bilheteria do CineSesc, 1h antes da exibição.
o eixo de filme inéditos da Mostra apresenta produções recentes que circularam por festivais internacionais, como “Alpha”, da francesa Julia Ducournau (dias 23/3 e 02/4), “Palestina 36”, da diretora Annemarie Jacir (dia 25/3), “Fuck the Polis”, de Rita Azevedo Gomes (22/3), “O Dia de Peter Hujar”, de Ira Sachs (dia 24/3) e “O Senhor dos Mortos”, novo trabalho do canadense David Cronenberg (dia 21/3) - vimos esse na sessão para imprensa e achei um bafo, o velho pinta e borda; o filme foi super mal recebido pela crítica, mas eu achei com cara de filme que vai virar cult em uns 10, 15 anos.
no eixo memória, a mostra revisita estreias e obras que anteciparam temas recorrentes de seus realizadores. a programação inclui “RoboCop”, filme que revelou Paul Verhoeven (dias 27/3 e 2/4), “Chocolate”, primeiro longa de Claire Denis (dias 22 e 26/3); o bafo “Dente Canino”, de Yorgos Lanthimos (dias 25 e 28/3); “Rio, 40 Graus”, clássico do Cinema Novo dirigido por Nelson Pereira dos Santos (dia 21/3); “As Virgens Suicidas”, estreia de Sofia Coppola (dias 24 e 26/3); “Calafrios”, primeiro longa de David Cronenberg (21 e 23/3). e ainda tem sessões em 35mm, com “A Maçã”, da iraniana Samira Makhmalbaf (dias 23 e 27/3), “Gosto de Sangue”, suspense de estreia dos irmãos Joel e Ethan Coen (dia 24/3) e “Os Matadores”, do brasileiro Beto Brant (dia 31/3).
a plataforma Sesc Digital também recebe cinco obras inaugurais de grandes diretores e diretoras: “Eu, Tu, Ele, Ela” (1974), de Chantal Akerman, “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão” (1980), de Pedro Almodóvar, “Durval Discos” (2002), de Anna Muylaert, “Crítico” (2008), de Kléber Mendonça Filho e “A Negação do Brasil” (2000) de Joel Zito Araújo. os filmes ficam disponíveis via streaming gratuitamente, sem exigência de cadastro.
todas as sessões da Mostra Farol estarão com ingressos vendidos a R$20,00 (inteira), R$10,00 (meia) e R$6,00 (credencial Sesc) e as exibições na faixa das 15h são grátis, com ingressos distribuídos 1h antes do início. confira a programação completa e demais informações em sescsp.org.br/mostrafarol e sescsp.org.br/cinesesc.
lançamentos
articulando o “Futuro Ancestral”, de Ailton Krenak, como um projeto estético, “No Ritmo da Terra”, de Antropoceno, reinterpreta elementos tradicionais da música brasileira e gravações da Floresta Amazônica sobre a linguagem de rock/ metal experimental, criando um diálogo entre gêneros como afoxé, MPB, capoeira e samba com influências futurísticas de post-rock, post-metal, art rock e glitch. com letras em português, tupi e iorubá, o projeto Antropoceno, comandado por Lua Viana, recontextualiza cantigas tradicionais de candomblé e capoeira sobre uma linguagem de rock e metal experimental. é uma doideira muito interessante! ouça de corpo aberto e mergulhe na rica estranheza desse projeto.
“Brasileirinha”, o novo disco da Frimes, é uma delicinha. ela sabe navegar por entre gêneros populares do Brasil e da música pop internacional com sagacidade, fazendo disso tudo uma base para o seu humor escrachado e exagerado. ouça aqui. passei mal com “De Saia Jeans“, a letra completamente absurda com uma entrega vocal e um timing de humor muito bom. a diva fecha!

o maior trabalhador da música eletrônica brasileira lançou mais um ep: Zopelar liberou hoje “Night Rider EP” e está um luxo. o ep sai pelo selo francês PHONOGRAME e tem participação de Vivague e um remix assinado pelo colombiano Felipe Gordon. Zopelar toca no domingo no Lollapalooza e quem for, curta por mim. é isso! ouça aqui.
dona de um dos grandes discos de 2025, Annahstasia lança agora um trabalho ao vivo intitulado “Live at Glasshaus” e está um absurdo de lindo. a voz dela, as nuances entre força e delicadeza, tudo on point! recomendo demais.
fervos & bafos
o Zig Festival anunciou a sua terceira edição para 10 de outubro em SP e já anunciou a presença da cantora Slayyyter. os ingressos já estão à venda e estão indo como água, então corre pra garantir o seu.
neste sábado, dia 21 de março, a Brutus volta a Casa da Luz com a edição Jockstraps on Fire. na cabine, um encontro internacional de DJs: os ingleses KAPP e JUNIØR, o chileno Crissoyy e o residente brasileiro Alexandre Bispo. ingressos aqui.
videolocadora
nessa sessão indico filmes de qualquer época que eu acho interessante e que valem o play
“Django”, Sergio Corbucci
Django arrasta consigo um caixão, onde está escondida uma metralhadora, enquanto vaga pela fronteira do México, na busca por vingar a morte de sua esposa - nessa jornada ele acaba cruzando uma série de personagens e acaba se envolvendo em brigas que nem sempre são suas, porém sempre ao lado de putas, indígenas e outros personagens vistos como a escória pelos manda-chuvas locais. clássico Western Spaghetti que completa 60 anos em 2026, o filme dirigido por Sergio Corbucci segue um dos grandes faroestes dos anos 1960 e um marco do gênero, tanto por sua violência quanto por sua ousadia de transgredir certas normas que eram bastante usuais no faroeste norte-americano - se os brancos matando indígenas eram a norma, aqui Django anda ao lado dos personagens considerados anteriormente os inimigos, em uma narrativa que se desdobra na violência, mas que se enraíza na humanidade perante os marginalizados. e no centro disso tudo a figura única de Franco Nero em um dos seus papéis mais marcantes: misterioso, sedutor e violento, seu Django é sem igual. dica: vejam esse e ignorem o Django de Tarantino - eu ODEIO o filme feito pelo Tarantino e acho que ele destroi muitas das melhores coisas do personagem, sou contra!!! enfim, escolham esse original.
as cantoras lá de casa
sessão onde indico um disco de alguma cantora dessas de outros tempos que vivem no repeat aqui em casa
Tássia Reis, “Topo da minha cabeça”
vocês podem me dizer que Tassia não é de outro tempo como propõe essa sessão da newsletter, mas vocês sabem que eu nem sempre me prendo a definição desse espaço… Tássia é uma cantora aqui de casa há mais de 10 anos e sempre acho que ela não tem a valorização que merece. sua inclassificabilidade dificulta um pouco em um mundo que tenta colocar cada artista em uma caixinha, em um nicho, uma tag; Tássia é mpb, é rap, é samba, é pop, é mais… o importante é que suas canções possuem um fio único conduzido por sua poesia. “Topo da minha cabeça”, lançado em 2024, tem uma salada mista de gêneros e, ainda assim, mantém uma unidade muito rica construída pela sinceridade poética da artista. a intimidade de faixas como “Tao Crazy” e “Só um tempo” dialoga com a religiosidade e a quase metafísica de “Topo da minha cabeça” e “Nos vestimos branco”; a lírica vinda do rap ganha tons de samba-jazz na política “Brecha”, ao mesmo tempo em que os sons se embaralham em “Previsível” ou “Rude”. e tudo funciona de forma bem amarrada em um disco cheio de nuances, de uma artista madura e de voz única. Tássia Reis é uma das grandes de sua geração e por isso acho importante reforçar por aqui. ouçam e reouçam.
Tassia lançou essa semana um clipe lindíssimo para “Topo da minha cabeça”, recomendo o play >>>
em 2024 pude bater um papo com Tássia que virou uma materia longa lá no Monkeybuzz - tenho muito orgulho desse texto, espero que voces gostem.
reclames
esta semana no podcast VFSM nós listamos algumas das cinebiografias musicais que mais amamos para você fugir das furadas e das dentaduras do Rami Malek. ouça aqui.
essa semana também tivemos um Clássicos VFSM sobre a Lykke Li. aproveitamos a vinda da cantora sueca ao C6 Fest para conversar sobre o maravilhoso disco “Wounded Rhymes” (2011). ouça aqui.
até a próxima,
Renan Guerra









